POSTAIS ILUSTRADOS
POSTAIS ILUSTRADOS
Reflexões menores. Um pequeno contributo.
I
"…mas o que falta aos tiranos é só imaginação e o jeito na circunstância é mesmo a revolução."
'Poemas' Agostinho da Silva,
In Citador
Não sou Economista. As reflexões que se seguem são fruto de leituras e da observação. Algumas das conclusões a que chego são deduções instintivas. Não estão ligadas a um profundo conhecimento técnico.
O ciclo financeiro da Economia é como a pescadinha de rabo na boca. Não é nada de novo. O ciclo começa na produção, mas, a produção assenta na mão-de-obra e esta no factor humano. Em grandes indústrias, o factor humano foi substituído pelo avanço da tecnologia, mas, a máquina necessita da supervisão do operário especializado. Nada de novo, portanto. O produto saído desta realidade conjugada tem um valor e a esse valor chama-se preço de produção. Continuamos sem nada de novo. A formação deste valor inicial está, também, ligada ao custo da matéria-prima.
Em tudo isto, o Estado intervém com impostos.
O produto é assumido pelos grossistas e pelos retalhistas que o fazem chegar aos logistas e estes aos consumidores. O produto passa a ser conhecido pelo preço de venda (ou de mercado) que já tem em cima os preços dos intermediários e de outra panóplia de taxas e impostos pagos ao Estado. O preço do mercado já vem acrescido da intervenção de todas estas unidades não produtivas que incluem um valor acrescido que é o lucro que, também, é objecto de intervenção do Estado, com mais um imposto sobre este rendimento. Nada de admirar.
Entre a produção e o consumidor há um infindável e complexo circuito, com toda a gente a meter a mão na massa, que resulta no preço final. O preço do produto na sua colocação no mercado está envolvido numa cascata de impostos e taxas para sustentar o Estado, mas, mesmo assim, este último está sujeito ao imposto sobre o valor acrescentado a pagar, mais uma vez, pelo consumidor, e, também, é sujeito às regras da concorrência, no mercado livre, que o Estado fiscaliza, através da intervenção dos Supervisores.
O consumidor leva com tudo em cima, mas, teoricamente, está defendido pelo olho do Estado, no cumprimento das regras da concorrência, impedindo este a cartelização.
Isto é muito terra-a-terra e qualquer cristão pagante conhece este ciclo.
Tudo bem, vamos a contas. Porque é que falei na pescadinha de rabo na boca? É muito simples. O ciclo financeiro para que as Leis da Economia funcionem tem a ver com o fluxo de dinheiro, massa monetária em circulação nos mercados, ou seja, tem directamente a ver com o poder de compra dos consumidores.
Os consumidores, além de pagantes de impostos do ciclo inicial, ainda levam em cima com os impostos que o Estado lhes vai buscar ao seu trabalho. Quando os impostos sobre o rendimento do trabalho são muito exagerados, o consumidor perde o chamado poder de compra e deixa de consumir. Pelas leis da oferta e da procura, se não há consumo a oferta diminui e com isto a produção é afectada, no que resulta o fecho das empresas e o desemprego. É um círculo vicioso. Nada disto é novidade.
Estou apenas a reflectir. Olhemos mais um pouco as contas…
Sabemos que a maior parte da matéria-prima ligada à energia vem da Mãe Natureza. O petróleo, o gás natural, a água e o Sol.
Por ora, falemos da energia produzida pela água, pelo vento e pelo Sol que nos dão a electricidade. A construção de barragens, algumas pagas há dezenas de anos, afectadas, apenas, com encargos de manutenção; e, a construção de moinhos de vento, ou painéis solares, ainda que com tecnologia incorporada para a captação e acumulação de energia não justificam os altos preços pagos pelo consumidor; que o diga a minha factura de electricidade composta por uma série de alíneas que mais não são do que uma violência exercida sobre os indefesos pagantes. A mais escandalosa é a do défice tarifário. Onde está o Supervisor? Já se debruçou sobre isto.
Apesar das angustiantes queixas dos operadores que nos dizem que os preços de mercado não se compaginam com custos de produção que são maiores do que aqui os otários julgam. Coitados! Dei comigo a pensar que já, provavelmente, pagam o ar das montanhas, a água dos rios e os raios solares e que apresentam prejuízos nas contas por via disso, ao contrário dos milhões de euros de lucros de que dão notícia, que justificam os vencimentos escandalosos dos gestores de topo.
Há muita coisa para supervisionar só nas energias.
Onde estão os Supervisores para nos defender em representação do Estado?
Espero que este Governo comece a olhar com exigência e urgência para esta situação…
Aliás, a revolução de que nos fala Agostinho da Silva é a das mentalidades, ou seja, começará com este Governo? Se o Governo tiver coragem para aplicar a austeridade a toda a gente, incluindo a ele próprio.
A austeridade é necessária, mas não nos moldes em que está, mantendo livres os Órgãos e Agentes do Estado e as suas estruturas; mantendo livres os bancos e os seus gestores; mantendo livres as empresas públicas e os seus administradores; mantendo livres as autarquias e os seus presidentes e vereadores e, ainda, as empresas públicas municipais e os seus responsáveis. O exemplo vem de cima. A austeridade não será tão penosa para o contribuinte e este não ficará tão revoltado se verificar que a austeridade começará, a partir de agora, no Estado Global, a tocar a todos.
É que diminuir a dívida pública não é só despedir funcionários públicos!!!...
Virei aqui, num dos próximos Postais, à vossa presença para demonstrar que o Estado como pessoa de bem já não existe e não trata de igual modo toda a gente. Refiro-me à Lei do funcionalismo que introduziu a mobilidade especial voluntária, depois explico porquê e com provas.
É esta a revolução que precisamos de sentir. A de corrigir as mentalidades de quem se serve do Estado e não serve o Estado.
O Senhor Primeiro-Ministro afirma que não virará a cara a Portugal, ora isso demonstrará que não ganhou as eleições por acaso…
Aguardemos e esperemos que não!
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