NO CAMPO DE KULIKOVO 3 - 4

22-08-2013 09:40

NO CAMPO DE KULIKOVO 3 - 4

 

 

3

 

 

Na noite em que Mamay se posicionou com a horda

Na estepe e nas pontes,

No campo escuro estávamos eu e Tu,--

Sabias?

 

Em frente do Don, negro e ominoso, 

No meio dos campos noturnos,

Ouvia eu a Tua voz com coração profético

Nos gritos dos cisnes.

 

Desde a meia-noite, como uma nuvem subia

O exército do príncipe,

E ao longe, ao longe,  a mãe contra o estribo batia 

E se lamentava.

 

E, desenhando círculos, as aves noturnas

Crocitavam ao longe.

E sobre a Russ'  silenciosos relâmpagos

Espreitavam o príncipe.

 

O grito de uma águia sobre o campo tártaro

Ameaçava desgraça,

E o Nepriadva adornava-se de névoa,

Como princesa com o véu de noiva.

 

E com a névoa sobre o Nepriadva dormente,

Direita a mim

Tu desceste, com vestido de luz radiosa,

Sem me espantar o cavalo.

 

Com a  onda argêtea tu rebrilhaste  o amigo

Na espada de aço,

E refrescaste a poeirenta cota de malhas

No meu ombro.

 

E quando de manhã,  como nuvem negra

Se movimentou a horda, 

A Tua face  sagrada estava no escudo

E brilhava para sempre.

 

4

 

 

Mais uma vez com a secular tristeza

Vergam para a terra as hastes herbóreas.

Mais uma vez além do rio enevoado

Tu me chamas de longe.

 

Partiram a toda a pressa, desapareceram sem vestígio

As manadas das éguas da estepe,

Soltas as paixões selvagens

Sob o jugo do quarto minguante.

 

E eu com  a secular tristeza,

Como um lobo sob o quarto minguante

Não sei que fazer comigo, 

Para onde  vou eu voar contigo!

 

Ouço o estrépito da batalha

E os gritos das trombetas dos tártaros,

Vejo sobre a Russ' mais ao longe

O grande e silencioso incêndio.

 

Envolto por uma imensa tristeza,

Dou guinadas ao meu cavalo branco...

Cruzam-se nuvens livres

Nas enevoadas alturas noturnas.

 

Levantam-se pensamentos brilhantes

No meu coração lacerado,

E caiem os pensamentos brilhantes,

Queimados por um fogo sombrio...

 

"Aparece, meu divo divino!

Ensina-me a ser brilhante!"

Levanta-se a crina do cavalo...

Com o vento clamam as espadas.

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